27 de março de 2020

Endereço: meu quarto

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Faz duas semanas que entrei em uma quase voluntária "rotina de não sair de casa". Para mim é um pouco estranho chamar de quarentena, porque o usual é eu não sair mesmo. A primeira semana foi muito parecida com uma rotina de férias para mim, apenas com a pecualiaridade de continuar com responsabilidades da faculdade. Talvez o mais diferente nesses dias de quarentena é que não estou precisando pegar ônibus, ir para a aula, essas coisas. Essa quarentena está sendo um feriado prolongado que não acaba mais, e mesmo assim, ja estou começando a ficar incomodada, porque dessa vez não dá para achar uma desculpa para ir ao comércio, ou a algum parque.

Para distrair e com toda essa preocupação com o COVID-19 tenho visto muita gente que está fazendo coisas novas. Acho interessante, porque nessas duas semanas eu não fiz nada útil para meu país haha' brincadeiras a parte, é verdade, Isadora só pensou e pensou, mas não fez nada para aprender algo novo. Na primeira semana eu ainda estava com algumas atividades a distância do curso, mas agora as aulas foram suspensas de vez (e o medo de perder um semestre cresceram). O que tem me distraído nesse segundo semestre é que estou fazendo teletrabalho ("trabalho", com aspas, porque sou só estagiária), além, claro, de gastar meu tempo no bom e velho YouTube e seu amigo Twitter. A prima Netflix, às vezes, dá as caras também.

Uma das consequências de ficar em casa é que tenho escutado muita música, tal como nas férias. Então meu desafio da quarentena atual é zerar a playlist de recomendados que eu tenho no spotify - que, por mais que tenha esse nome para meus amigos colocarem músicas lá, sou eu mesma que sempre loto de músicas. E até que eu tô conhecendo alguns artistas novos e atualizando as playlists.

Vou atualizar meu endereço para meu quarto, porque eu tenho passado mais de 3/4 do meu dia nesse mesmo cômodo haha' seja para fazer teletrabalho, para estudar ou para assistir alguma série. Talvez seja melhor mudar isso, né? Li que é mais saudável separar um lugar da casa pra responsabilidades de trabalho e estudo, pra não confundir a cabeça... coisa do tipo...

Por hoje é isso, até!

15 de março de 2020

Zero O'Clock

4 comentários:
19:00

Alícia girou a chave na porta com um suspiro, arrastou os pés até a entrada da cozinha e tirou os tênis. Chave na mesa, mochila na cama, celular na mão. Olhou no espelho o reflexo cansado, a maquiagem continuava ali, mas o corretivo que antes cobriam as olheiras já não faziam tanta diferença. Uma mancha de rímel borrado na pálpebra lembrou Alícia de como quase chorara no ônibus.

Andou até a cozinha. Frigideira, tapioca... Quando ficou pronto, pegou óleo e ovo e preparou o recheio. Abriu o instagram e se perdeu no tempo vendo as fotos e histories. Uma amiga sua estava numa pizzaria, legal. Um primo foi jantar com a mãe, madrinha de Alícia. Colegas compartilhando charges de política, piadas, fotos de bichinhos fofos... Só quando a tapioca já estava pela metade, percebeu que esquecera de colocar sal no ovo, por isso o gosto sem graça.

Na hora de lavar a louça foi lembrando como ainda era terça-feira, mas parecia quinta. Já estava se sentindo tão cansada e uma dor de cabeça começava a incomodar. "Será que tô com dengue? Essa moleza toda..." pensou, "mas não tô com febre.".

20h25

Deitou na cama ainda com a roupa que chegou da rua. Só precisava descansar o corpo um pouco. Nada demais, uns 5 minutinhos. Deitada de bruços, os ombros tensos, doloridos, checou os grupos do Whatsapp. "Nada de bom por aqui." Noticias de assaltos, doenças, colegas perguntando alguma coisa sobre o que os professores comentaram na última aula. O mesmo de sempre.

...

"Porque me parece tão cansativo? Esse trabalho não era pra ser mais recompensador? Experiência, aprendizado.", bocejo. "Tá é me deixando desanimada. Eu queria dormir e acordar de férias de novo, mas dessa vez aproveitar para fazer dos dias, produtivos..."

Mas o que é ser produtivo?

"Será que eu deveria ter feito mais no estágio hoje? Eu tava tão perdida com aqueles documentos, se eu tivesse perguntado talvez teriam me ajudado... Mas todo mundo tava ocupado com os próprios abacaxis." Olhou o horário na tela do celular. "Ah, amanhã eu pergunto. Pelo menos 80% já tá feito."

21h10

Levantou da cama e pegou o pijama. "Já fiquei tempo demais fazendo nada." No caminho do banheiro, tropeçou no gato.

"Não te deram comida mais cedo hoje, meowzinho?" Os olhos azuis encararam Alícia de uma forma profunda, para aceitar o carinho na cabeça com um miado grave.

Após alimentar o bichano, foi para o banho. A água quente aliviando aos poucos os músculos tensos, a sensação do vapor esquentando a pele do rosto. 10 minutos que poderiam durar mais.

22h00

Tirou a maquiagem com o sabonete, esfregando com cuidado pro preto borrado do rímel não arder o olho. Ao erguer o rosto, lá estava, mais uma vez, os olhos vermelhos de Alícia a encarando. A pele pedindo uma hidratação, o nariz com manchinhas de sol.

22h20

Olhou a hora no telefone mais uma vez. "E eu ainda não fiz nada desde que cheguei." Caminhou até a cozinha de pés descalços, o gato se esfregando nas canelas, miando, pedindo atenção. Abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água e caminhou direto até a cama. Largando a água no chão, ao lado, deitou a cabeça no travesseiro, não sem antes conferir se não havia outra mensagem.

...

"Será que eu deveria ter feito mais hoje? Talvez adiantado algumas coisas no trabalho, ou quem sabe oferecido ajuda pra minha supervisora... mas eu já estava tão cheia de coisa."

...

"E se eu não tivesse terminado? Será que a gente ainda estaria juntos? Nós já fomos um casal de verdade?"

...

"Amanhã eu tenho que resolver tanta coisa... não posso esquecer de nada... tenho que anotar tudo"

00:00. 

Mudando de lado na cama pela terceira vez, Alícia largou o celular no chão, cansada. Já era hora de fechar os olhos e desligar a cabeça. Só mais um dia que acabara... no próximo iria fazer melhor. Iria, sim. 

Escrito em 13/03/2020
Inspirado em uma música e talvez em mais alguma coisa. Foi uma ideia que surgiu de repente, não sei se fiquei 100% contente com o que saiu, relendo depois de alguns dias do rascunho minha escolha de palavras me pareceu muito de fanfic. Não que seja algo ruim ou mau escrito, mas eu estou começando a pensar que preciso voltar a treinar escrita, não só para esses textos abstratos e "soltos", mas fins de expressão pessoal mesmo. Escrever também ajuda a se expressar oralmente, acredito eu.

Só isso por hoje, até!

7 de março de 2020

sobre playlists atualizadas constantemente

4 comentários:
Queria voltar a postar com a mesma vontade e empolgação que eu tinha há três ou quatro anos atrás, sinto saudades disso. Estava pensando no que escrever, deletei três rascunhos por que não faziam sentido para mim, não achei que alguém iria se interessar ou que eu, se fosse um leitor, iria gostar.

Vejamos... Eu reorganizei minha playlist pela vigésima vez. A cada dois meses, em média, apago todas e as refaço. No fim, acabo colocando as mesmas músicas... meio sem sentido, né? É engraçado isso, nem muda tanto, só os títulos das playlists mesmo. Como se mudar a ordem de reprodução e o nome fossem mudar alguma coisa. (Algumas músicas acabam saindo, como uma faxina de playlist, porém não são muitas).

Pensando nisso, minha relação com minhas playlists do spotify (que é uma coisa tão boba) reflete bem como tenho me sentido em relação a determinadas coisas na minha vida, parece que sempre tem alguma coisa errada. E então, a períodos regulares de tempo, vou mudando uns poucos detalhes na minha vida pra ver se faz efeito... Pode ser um hobby novo ou uma distração diferente. Algo como um canal novo no youtube para acompanhar, uma série nova. Sempre fui assim. Acho que estou começando a aceitar que talvez esse seja meu jeito, perdendo interesse nas coisas rápido.

Mas na verdade não é bem "perda de interesse", é mais como uma necessidade de ter sempre algo que me recarregue as energias. Como quando você começa um hobby novo e fica todo empolgado para aprender coisas novas. É dessa sensação de ânimo e empolgação que eu sinto falta às vezes, daí pra não perdê-la, eu vou sempre atrás de coisas novas que possam me fazer sentir dessa forma. Só que eu acabo esquecendo das que comecei anteriormente, e aí acumula tudo...

De qualquer forma, sigo mudando as playlists. O ponto positivo é que elas sempre tem músicas novas, artistas novos, bandas e grupos novos. O negativo, elas crescem constantemente, e eu fico em dúvida se devo "faxinar" porque vai que eu sinta vontade de escutar outra música.
CRED
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